14 agosto, 2010

Texto de Elenita Rodrigues .

Sobre desejos e nomes...

Então eu me lembrei daquela cena em que a Julia Roberts suspira, tenta dizer o que sente, mas perde o momento quando a balsa termina o trajeto embaixo da ponte.
Lembro que sempre achei triste. Lembro da conversa no almoço com um colega de trabalho que lamurioso comentava sobre como estava confuso diante de tanta independência feminina... lembro dos meus conselhos...
São 03:29 da manhã, não sinto qualquer sono. Lembro da relutância em responder, naquela história antiga, sobre o que nós dois éramos, bem do jeito que eu queria. Por que eu não fiz? Se outra pessoa me escrevesse pedindo conselhos, sei que só responderia "para de complicar, simplifica..." É tanta redoma, e tanta defesa, tanto medo de nomear, de dizer...
Acho que é porque gostar de alguém tira um pouco a gente do eixo. E nos traz pra perto um receio de perder, de machucar ou de se machucar que muitas vezes faz com que a gente se feche... e então permaneça no "e se...?".
Que a gente não seja tão covarde como a personagem da Julia Roberts no filme. Que a gente não perca porque tem medo da perda, que a gente aprenda a nomear, a viver. Não existe nada que possa nos proteger de uma queda bem grande. Mas, se for pra cair, que a gente tenha ao menos vivido... Eu acho. E você?
 
blog da Lena tem esse e muitos outros, textos, lindos.. http://acasosafortunados.blogspot.com/

Um comentário:

Rodrigo disse...

Também creio, embora não achava...

Abraço!